terça-feira, 12 de agosto de 2014


É PROIBIDO CONVERSAR COM O MOTORIS

FERNANDO AZEVEDO

Essa placa junto ao motorista existia em todos os ônibus da Pernambuco Autoviária Ltda., os ônibus da minha infância. Os passageiros respeitavam e as informações deviam ser pedidas ao cobrador. Vejo agora num artigo de Maio de 2014 da revista Journal of adolescente health uma advertência aos pais e aos jovens motoristas adolescentes. Acontece que nos automóveis de hoje, a segurança dos equipamentos como cintos, air-bags etc. da ainda mais confiança aos que dirigem em caso de acidentes. Por outro lado a música, o GPS, os equipamentos de celulares etc. tem aumentado a desatenção ao dirigir e qualquer desvio do olhar pode resultar em morte por acidentes graves. Chama à atenção também esse artigo para a quarentena necessária para que se entregue um automóvel para o adolescente dirigi-lo na estrada. Uma coisa é cidade onde a velocidade é mais baixa e outra é a estrada onde as viagens são mais longas e os carros vão além dos 100 km por hora. Em estradas de duas mãos a velocidade do impacto aumenta mais ainda na colisão, pois se soma à velocidade do carro atingido. Ouvir música é um deleite, mas dirigindo um carro é perigoso, sobretudo se a música é em tom menor e lenta. Da sono. Tenho um GPS que uso para ir a Boa Viagem, pois não entendo mais nada daquela praia de veraneio e tenho meus amigos por lá. Quando a tela abre há uma advertência sobre a desatenção que pode provocar e o risco de acidentes. Ficar atendendo celular e olhando o WAZE não é recomendável, mas tornou-se quase uma rotina. Nos feriadões são trágicas as noticias e o que seria uma diversão torna-se uma tragédia. Vamos voltar a ter a placa da Pernambuco Autoviária Ltda. e respeitar o motorista evitando conversas para mantê-lo sempre atento e de olho no caminho.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O DIFÍCIL TRATAMENTO DA OBESIDADE

FERNANDO AZEVEDO

Por que todos os gordinhos e gordos (hoje chamados obesos) que conheci até hoje tem como característica principal a simpatia? Por que querer modifica-los com dietas exageradas para torna-los magros, irritados, sem aquela risada gostosa característica de todos os gordos. Por padrão de beleza não é. Os tipos de beleza são mutáveis e para provar isso vejam-se as telas dos maiores pintores de séculos atrás onde a barriguinha não era de tanquinho e os seios eram fartos. As figuras masculinas também não precisavam do desenho anatômico de todos os seus músculos à base de academias e suplementos. O que se concluiu é que esse peso excessivo arrastava consigo mais doenças. Os joelhos não aguentam o sobrepeso, começa a hipertensão arterial, o diabete mellitus é frequente e o colesterol ruim vai entupindo os vasos sanguíneos nobres e menos nobres além de problemas de pele etc. A obesidade não é uma doença única. Ela trás uma série de companheiras. Houve uma mudança do padrão alimentar mundial e até na China e Japão onde se procurava um gordinho e não se achava eles já estão por lá rodando. Nos Estados Unidos pai da obesidade mundial pela alimentação fast-food tem mais de 60% de gordos. Agora vamos a outros detalhes, a genética. Um magrinho casa com uma gordinha e lá vem a prole, metade gorda e metade magra. Começa então o tratamento do gordo proibindo-o de comer biscoitos recheados, sorvetes, bolos e tudo de padaria. Para o pai magro e o filho magro ta tudo liberado. Fica difícil. O tratamento da obesidade tem que ser coletivo e a mudança das compras tem que ser gradual passando a radical. Não pode entrar na casa alimentos nocivos e não pode haver discriminação na família. O eventual aniversário não faz mal com seus brigadeiros etc. Outra coisa é a atividade física que no gordo vai diminuindo pela pouca resistência e complicando a sua engorda. Ele tem dificuldade de participar não só por bullying como também por total insensibilidade dos “técnicos” em esportes que por não notarem habilidades os escanteiam, pois querem ter no seu plantel só ”negociáveis”. A coisa é complicada e cada vez mais aumenta o número de cirurgias bariátricas com sucessos e insucessos porque a maior operação não é na anatomia digestiva, mas sim no psiquismo, na conscientização que o peso excessivo e uma dieta inadequada não são coisas boas para a saúde e a longevidade. A mesma conscientização que precisa ter o fumante e o alcoólatra ou usuário de outras drogas. Chega-se ao absurdo do inaceitável procedimento de engordar o gordo para que ele consiga entrar na chamada obesidade mórbida e o plano de saúde aceitar a cirurgia. Quantas mortes já aconteceram, quantas complicações, quanta qualidade de vida que foi pro beleléu quando a finalidade era justamente outra. Os supermercados criaram carrinhos de compras e as crianças vão em baixo dirigindo. Tudo que engorda está nas prateleiras mais baixas e acessíveis às crianças também, e ai começa o erro. O corre corre da vida e o querer agradar os filhotes para compensar a ausência do convívio soma-se a essas dificuldades. O que fazer? Perguntar no Posto Ipiranga!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

FAUCUDADES E FACULDADES DE MEDICINA

FERNANDO AZEVEDO

Leio hoje (23/7/14) que o MEC autorizou a abertura de mais seis cursos de Medicina no Brasil sendo locados em Passo Fundo e Santa Maria (RS), João Pessoa, São Paulo, Ribeirão Preto e Maceió. A carência de médicos no país é enorme e isso está nos jornais todo dia e nas capitais mais importantes do Brasil o cenário é desolador. O colega não se fixa mais no interior pela falta absoluta e total de condições, diferente do meu tempo de recém-formado onde havia em quase todo município pernambucano boas condições de trabalho e os colegas ganhavam bastante dinheiro além de casar com moça rica. Mudou tudo e o abandono da população é total. Vêm as soluções: médico cubano: não resolve. Formar mais médicos: também não vai resolver.  O MEC que formar até 2017 11.447 médicos sendo 3.615 nas universidades federais e 7.832 nas escolas privadas. O preço mensal de uma escola privada gira em torno de 3.500 reais para o pai do estudante.  Ah! ele pode entrar em financiamento. Financiamento é dívida e conte-se também o preço dos livros e equipamentos. Qual o estudante que depois de um investimento de mais de 40.000 reais por ano vai querer ir para um lugar distante e sem condições de trabalho. Contou-me outro dia uma colega que foi minha aluna, que estava num ambulatório de urgência com uma residente e a jovem queixou-se do desconforto da cadeira. Pegou o celular, ligou para o pai e em breve tempo chegou uma giroflex para a bichinha trabalhar. O bumbum doía. O que quero abordar sobretudo é que é fácil fazer faucudades mas é muito difícil fazer faculdades. Fabricar alunos e mostrar estatísticas é ótimo. O que é dificílimo é formar PROFESSORES DE MEDICINA. Aí a porca torce o rabo. O ensino médico sobretudo o prático é feito de exemplos e esses não estão muitas vezes nas faculdades. Títulos de mestre, doutor e pós-doutor não significam nada se a vocação para ensinar não existe. Fui Residente no Rio de Janeiro de um hospital público – o IPASE – Hospital dos Servidores do Estado, o melhor hospital da América Latina. Os professores eram funcionários públicos.  Ensinei graduação médica por 10 anos na Faculdade de Ciências Médicas e depois mais 25 anos a pós-graduados no Hospital Barão de Lucena que foi uma das maiores escolas médicas do Brasil e não passávamos de funcionários públicos, mas com uma enorme dedicação ao ensino de formação de pediatras. Como avaliar tanto professor nessas escolas tanto públicas como privadas? Não tem como, e um médico mal formado é um profissional deformado na sua essência. Será que se tornará necessário um exame  tipo Revalida para os novos médicos assim como existe a prova da OAB?  Fico nessa dúvida, pois medicina não é um emprego é uma dedicação, é uma vocação, é como a origem latina da palavra diz: um chamamento. E a responsabilidade do Professor é enorme. O desenvolvimento do Brasil é pífio e concentra-se nas regiões metropolitanas. O interior não atrai capital e o país também não investe nesses rincões e lá não se estabelecem nem médicos nem nenhum profissional universitário a não ser juízes que passam por esse purgatório na expectativa de um final de carreira abonado e seguro. Não vejo nada de positivo pela frente e continuará sempre a transporte terapia patrocinada pelas prefeituras e vereadores generosos.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

NÃO É SO OS 7 X 1


FERNANDO AZEVEDO

“Relatório divulgado em 16 de Julho de 2014 (há 3 dias) pela Unaids agência da ONU dedicada à luta contra a AIDS aponta que o Brasil enfrenta uma crise de recrudescimento da doença. O país registrou um aumento de 11% do número de infecções por HIV de 2005 a 2013 enquanto no mundo houve uma queda de 27,6% nesse mesmo período. Na América Latina a tendência também é de diminuição, ainda que lenta. Em oito anos, o número de novos casos caiu 3% na região”. A concentração dos casos está aumentando entre os gays, prostitutas e usuário de drogas. O relatório revela um aumento do número de mortes em 7% (olha ai os sete outra vez). São oito anos de um governo incompetente e corrupto que está trazendo danos irreparáveis ao seu povo com a falta do acesso à saúde e à educação. A prostituição nada mais é do que o resultado da falta de oportunidades assim como a desilusão aumenta o consumo de drogas. A falta de educação infantil e juvenil produz adultos deformados e conformados com as gorjetas que são dadas sem nenhuma possibilidade de elevar seu padrão de vida, de uma especialização que o conduza a um emprego, uma esperança de melhores dias para si a para suas famílias. A criminalidade aumenta, as cadeias superlotadas são o reflexo desse desprezo pelo povo que termina nas mãos dos malfeitores por fraqueza e mesmo imposição de PCCs e outras gangs. O Brasil se alia ao que há de pior, aos ditadores de todo o mundo. Agora com a Copa do Mundo caímos para a sétima posição, tabela divulgada hoje. Não, não são os 7 X 1 contra a Alemanha o que nos envergonha e depois os 3 X 0 contra a Holanda. Não são os 10 gols que nos deixa deprimidos. Pode isso ter sido mesmo um acidente (alguém acredita?), mas os 103 X 0 no Premio Nobel a favor da Alemanha mostra bem o que somos em padrão de educação e saúde. Isso não pode continuar.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A FÉ E A SUPERSTIÇÃO


FERNANDO AZEVEDO

“Vem vamos embora que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora não espera acontecer. (Geraldo Vandré).

Quem não se lembra desse clássico da MPB que agitou festival e ainda está valendo para uma série de decisões na vida. Não aplique, por favor, na OBSTETRÍCIA. A fé, a superstição, a cabala estão provocando enormes danos nos bebês recém-nascidos. Natural que uma pessoa tenha essas coisas na cabeça, nas suas convicções etc. Faça suas promessas com o SEU SACRIFICIO e não de um pobre que está chegando ao mundo. Se você é devota de um santo suba de joelhos uma escadaria, passe 10 dias em jejum etc., mas não obrigue uma criança a cumprir as promessas que você foi quem fez. Voltemos à Obstetrícia. Assombra o número de partos cesarianos na rede privada, chegando a mais de 90%. Qual a base para estabelecer o dia do parto? Quando iniciei minha vida de Pediatra, o marco era a data da ultima menstruarão. Erros grosseiros e muitas mortes pela falta de equipamentos para salvar o bebê. Hoje a ultrassonografia, passível de erro de até 4 semanas nos ultrassons do fim da gestação. E o que se vê? Crianças de baixo peso em respiradores, infecções e morte de um bebê tão esperado. Uma (em minha opinião) idiotice a mais surge agora na programação do parto para dar um signo preferencial ao recém-nascido. Não quero meu filho Leão (em certa parte razão absoluta) preferindo o signo de peixes por exemplo. Datas cabalísticas como o 12/12/1912 de recente lembrança com as maternidades lotadas com grande antecedência e fila de espera. A numerologia também vem orientando o dia melhor para o parto. Onde vamos parar? Que você troque seu nome de Jorge Ben para Jorge Benjor pouco importa, tenha sorte com essa numerologia pelas duas letras a mais, mas ter um filho no dia 25 porque a ciência diz que vai dar sorte é uma imbecilidade de riscos. Não minha amiga, “espere acontecer” nada melhor que uma criança madurinha, que cansou de estar ali na vida mansa e que vir à luz. Só uma coisa ela tem direito: nascer depois da Copa do Mundo de 2014.
 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A COPA E AS FAMÍLIAS



FERNANDO AZEVEDO 

Santo André, 4.30 da madrugada, todos dormem e o Lexotan que tomei as 20.30 de ontem era falso, pois não consegui acalmar nem dormir bem.Ta certo! Tive ontem de manhã o prazer de ler uma crônica de Rosely Sayão, jornalista e Psicóloga paulista, colunista da Folha de São Paulo falando da integração das famílias durante a Copa do Mundo. Idas coletivas às arenas, reuniões em casa ou condomínios, restaurantes, e como estava bonita essa manifestação de bem querer sob o clima do evento tão esperado. Analisei com isso um fato que reflito e comento com pessoas, clientes e aqui mesmo no Pediatria e Arte. Nós não nos vemos mais. A geração da minha mãe teve os primos como irmãos. A família morava na mesma Rua 48 com transversais para a Amapá e Conselheiro Portela. A segunda geração copiou o modelo e apesar de ter dois irmãos os primos também o eram porque a convivência era diária. Quantos primos se namoraram e casaram! Hoje os filhos desses primos não se conhecem. No consultório converso sobre isso quando vejo um sobrenome conhecido e pergunto: - Você é parente de fulano? – Sei que sou, mas não conheço. Incrível mas a culpa está na sociedade e no apartamento onde a rua do prédio não tem estacionamento e temos que levar folha corrida para entrar nele. Pena que esse sentimento de família tenha se acabado. Não digo o mesmo da Família Scolari. Essa vibrei em ser extinta ontem. Quantos penteados, quantas lourices, quantos brincos, quantas cuecas e quão pouco futebol. Que decepção, que derrota acachapante, inesquecível, humilhante e cruel para nós torcedores, avós, filhos netos e bisnetos que compuseram as arquibancadas coloridas e patrióticas. Que lindo o hino à capela. Todos e tudo sucumbiram nos 7X1. Mas o sete tem outro significado. O gesto de Neymar colocando o punho cerrado da mão direita sob o antebraço esquerdo pode ser deslocado até o cotovelo e vira um SETE. 7 X 1 deve ter sido o traço areia X cimento no viaduto de Belo Horizonte que despencou, matou e feriu pessoas que não sabemos o nome. O antigo cadáver desconhecido das Faculdades de Medicina. Não, eles eram conhecidos, trabalhadores e tinham suas famílias, mas foram vítimas da corrupção instalada durante a realização dessa bela Copa do Mundo. A Família Scolari é definitivamente a Família Barbosa. O grande goleiro Barbosa da Copa de 1950 que ouvi e chorei pelo rádio pagou uma pena que não merecia por toda a vida, sem direito à liberdade provisória ou qualquer atenuante.  A Família Barbosa também pagará. Presidente Dilma: entregue a taça aos alemães no domingo, são eles que merecem pela organização, competência, e arte de jogar futebol. Nós a receberemos não com vaias ou xingamentos, mas com o SETE do “tóis” de Neymar que a excelência está fazendo nos seus retratinhos, mas o punho estará no cotovelo. Saia de cena com seus papudos e seu criador, com essa roubalheira, saia de cena com essa CBF e FIFA corruptas e respeite esse povo que tanto lutou para proporcionar esses espetáculo maravilhoso que é uma Copa do Mundo. Viva a família brasileira!

segunda-feira, 7 de julho de 2014

COQUELUCHE


FERNANDO AZEVEDO

A preocupação com a Coqueluche aumenta a cada dia. Vejam esses dados do Ministério da Saúde. Em 2012 a suspeita de doença em crianças foi de 15.428 casos e destes 5.125 confirmados e vocês sabem que não temos laboratórios preparados por esse Brasil a fora. No ano de 2013 só no mês de Janeiro 1020 casos. O problema não vem acontecendo só no Brasil, mas no mundo. Na estatística americana a Califórnia em 2010 apresentou 9.000 casos confirmados. Acontece que a transmissão placentária de anticorpos pela mãe na gestação cai muito daí a recomendação atual da vacinação da gestante com a vacina DPaT (atenção Obstetras e gestantes) pois o nível de anticorpos diminui muito na adolescência e vida adulta. A vacinação dos bebês a partir dos dois meses de idade é também para proteger dessa temida doença. A recomendação que a Pediatria faz e muitas vezes não cumprida de manter os pirralhos em vida domiciliar o mais possível até que se complete a vacinação no sexto mês também tem essa finalidade. Recentemente tive dois lactentes internados e felizmente evoluíram bem. Há uma semana tive dois casos em consultório. O diagnóstico é difícil porque a doença simula um quadro gripal com coriza, tosse, febre inicial. Acontece que em vez de em 7 dias a criança estar bem, ela continua com sintomas e passa a apresentar a famosa tosse coqueluchoide com face avermelhada, lacrimejamento, vômitos e muitas vezes cianose o que justifica a internação hospitalar. Nesses casos o diagnostico clínico fica mais fácil e um complemento pode ser feito com exames laboratoriais, mas não se deve perder tempo. O início do tratamento deve ser feito em todo caso suspeito para evitar a disseminação e após 5 dias de antibiótico a criança já não é contaminante embora possa continuar tendo acessos de tosse. Após 3 semanas de sintomas contando com o inicio do “resfriado” até a tosse característica o resultado já não é bom. De todas as vacinações é a mais falha e há como disse no início uma queda imunológica na adolescência, o período mais difícil de vacinar um filho, pois já há perda de mando por parte dos pais e a famosa rebeldia obrigatória e saudável do adolescente. Fiquem então atentos a tosses prolongadas, rebeldes a tratamentos. Pode ser Coqueluche e como expliquei não há quem faça diagnóstico precoce a não ser que numa família, por exemplo, alguém passe a apresentar um resfriado em seguida a um diagnóstico num irmão ou parente de convivência próxima.