segunda-feira, 16 de setembro de 2013

AS DORES FREQUENTES NAS CRIANÇAS

FERNANDO AZEVEDO

É uma queixa muito frequente nos ambulatórios de Pediatria a tal da “dor nas pernas” das crianças. Felizmente a maioria se enquadra na chamada “dor de crescimento” que é uma dor sempre noturna (prestem sempre atenção a isso) e melhoram espontaneamente com um colo, um carinho e às vezes necessitando analgésico mesmo. Pode ser dado desde que sem muita frequência. Massagens também resolvem, mas evite sempre as massagens com álcool que é um item cada vez mais perigoso dentro de uma casa. A criança acorda bem, vai à luta, brinca o dia inteiro e de noite lá vem ela de novo em outras ocasiões.
As dores preocupantes são as que acontecem DE DIA. Essas merecem mais respeito e investigação e diria que rapidamente. Frequentemente prejudicam a locomoção, a criança claudica, e muitas vezes outros sinais aparecem tais como dor de cabeça, febre, mal estar geral, e sinais de inflamação em alguns locais como vermelhidão, inchaço etc. Temos que investigar com exames de sangue e imagens para esclarecimento. Miosites secundárias a infecções por vírus são frequentes e tem cura espontânea.

Outra dor comum é a emocional essas mais em crianças maiores (pré-escolares e escolares). Surgem na hora de ir para a escola, nunca acontecem nos fins de semana e feriados e nas férias. Acontecem geralmente como dor na barriga e na cabeça. Esses dois locais merecem respeito e as investigações devem ser feitas. O deixa pra lá está errado. Verificar transtornos emocionais em casa e na escola é o caminho se a investigação com exames nada mostrar e hoje cada dia mais as crianças estão nos consultórios dos psicólogos, psicopedagogos e psiquiatras. Não adianta tratá-las isoladamente, pois é um conjunto de fatores ambientais que deflagram essa instabilidade no pirralho e é difícil juntar a turma e os grandes reconhecerem erros.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

OS CASTRISTAS E OS CASTRADOS

FERNANDO AZEVEDO

Não consigo entender a paixão que pode despertar um ditador. Só o medo explica e só a vontade de também ser um justifica. Os sanguinários irmãos Castro, ditadores que infelicitam um povo há mais de 40 anos estão aí lado a lado com quem lutava contra a ditadura. Minha cabeça entra em parafuso. Era jovem em 1964 e ninguém me conte a história porque a vivi. Instalou-se um governo militar que seria provisório virando depois um período negro de perpetuação de poder. Grande erro. Jovens se lançaram à luta dizendo-se pela democracia. Como se luta contra um regime de força e ao mesmo tempo se abraça os assassinos Castro e seus raros parceiros pelo mundo, ditadores que envergonham a raça humana pela violência que impõem ao seu povo, tirando-lhes o direito do ir e vir, de opinar, de viver sem mordaça e rédeas. Qual a razão para fugir-se de Cuba se ali está um paraíso? Quantos preferiram a morte a viver naquele inferno? Quantos mil cubanos estão na Flórida,tendo feito improvisações de barcos precaríssimos e se lançando ao mar revolto com a total incerteza do chegar. Quem não sabe da existência da Nova Havana em Miami?. Quantos atletas debandaram ao saírem da ilha para participarem de jogos internacionais? A privação da liberdade, do pensar, é insuportável. A tentativa vã de uma ditadura de esquerda semelhante às que existem por ai não prosperará no meu Brasil. Dominaram o legislativo cada vez mais subserviente e corrupto, têm o executivo na mão com milhares de cargos desnecessários, mas necessários para manterem a engrenagem, e tentaram fortemente ter o judiciário também sob seu domínio. Onze ministros nomeados pelo presidente(a) para por ele(a) serem dirigidos como agradecimento ao cargo conquistado. Ai foi um tiro n’água, deu errado. Só dois tem comportamento repugnante. Os nove outros divergem entre si o que é salutar mas mostram saber e independência. Está aí o mensalão tão bem engendrado, nos seus últimos dias para mostrar que a corrupção existe mas com um poder judiciário independente ela pode ser punida. A bancada da Papuda está em pânico, faltam poucos dias para esses sem-vergonhas morarem no xilindró. Bom banho para vocês, castrados.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A ARTE E A CURA

FERNANDO AZEVEDO

A palavra Medicina vem do latim ars medicina que significa arte de curar. Não posso deixar de concordar, mas diria que não é só o médico que cura ou a medicina que cura. Lembro muito bem da minha infância alegre, mas tenho cicatrizes das doenças que tive. Brucelose – primeiro caso diagnosticado no Recife e diagnostico feito por meu pai Rinaldo Azevedo que era infectologista. Sarampo com pneumonia e tomando injeções de penicilina de 3/3 horas, oito furadas por dia (quantos dias?) uma das primeiras pessoas a tomar o antibiótico graças ao trabalho também do meu pai na época da 2ª. Guerra mundial na base americano-brasileira do Ibura onde conseguia as ampolas. A Medicina me curou. Depois já perto dos 10 anos Púrpura trombocitopênica idiopática. Parcos conhecimentos sobre a doença, nenhum medicamento (hoje corticosteroides, imunossupressores, retirada do baço em casos crônicos e severos) e eu com hemorragias, sobretudo em articulações. Minha mãe me fez acompanhar a procissão do Senhor dos Passos terminando o périplo deitado em cima da capota de um carro de aluguel e com dores intensas. As últimas que sofri, a ultima hemorragia. Quem me curou? A fé enorme de uma mãe e sua religiosidade. O médico era celeste não terreno. E as curas de Zé Arigó, de Chico Xavier alguém põe dúvida? E as benzedeiras? Ora minha gente nós somos massa e espírito, corpo e alma, e a alma adoece mais que o corpo. Gosto muito de ciências afins daí o título do meu blog PEDIATRIA E ARTE e coloco a música como uma fonte inesgotável de cura. Musicoterapia é ciência médica, acreditem e para ser musicoterapeuta não precisa ser médico, precisa ser musicoterapeuta. Complicado? Não, mas tem gente que só acredita em medicamentos. Todo esse preâmbulo é para falar da péssima assistência médica no Brasil, coisa que deteriorou nesses meus 50 anos de profissão. Só uma pessoa insensata não gostaria de ver seus compatriotas melhorarem o seu viver,vendo-os ao dormir o acordar de um dia seguinte com água, saneamento, assistência à saúde e uma escola para seus filhos já que os velhos não tiveram esse direito. Mas lhes roubam os sonhos esses políticos vagabundos e canalhas. Esgotam-lhes as esperanças. Claro que qualquer pessoa com título ou sem título de médico, (validado ou não validado pelos órgãos profissionais) que colocar uma criança no colo receberá um sorriso de agradecimento. Qualquer componente da constelação familiar dirá “obrigado doutor” a quem lhe der um minuto de atenção. A jogada, no entanto do “Mais Médicos” é mentirosa e cínica e mira as eleições e a perpetuação do poder e dos negócios. Nada contra os estrangeiros que para aqui vieram. O problema é que não se da saúde a um povo dessa forma assistencialista. A saúde é, sobretudo prevenção, higiene, e os investimentos tem que acontecer nessa área, mas nada se faz. Querer fixar médicos nesses rincões de pobreza é impossível e nenhum resultado acontecerá com “importação”. Eles não mudarão em nada as condições do povo. Nós é que temos que mudar e usar o nosso voto para retirar de vez do cenário político os Donadons. Um deputado preso julgado pelo STF não perder o seu mandato é de tirar o sono, uma vergonha internacional. Realmente o gigante não precisa só acordar, é preciso dar plantão.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O ARTISTA E A ESTRADA

FERNANDO AZEVEDO

Lembro muito bem da morte de Francisco Alves em 1952. O Brasil perdia o seu maior cantor, o Rei da Voz. Acidente automobilístico na Rio-São Paulo, estrada muito usada pelos artistas da época que se apresentavam nas duas cidades, ou mesmo como Antonio Maria que começava uma farra no Rio e terminava na Paulicéia. Luiz Gonzaga, o nosso Rei do Baião quase se foi numa madrugada enluarada no Rio de Janeiro. Outra morte que parou o Brasil foi a de Maysa Matarazzo na ponte Rio-Niteroi em 1977. A cena continua aberta para novos artistas que, sobretudo em início de carreira são vítimas de empresários que o programam numa mesma noite em várias cidades atravessando a madrugada em shows e voltando com todo o grupo em vans de aluguel ou mesmo dirigindo seu próprio carro. O sono, o cansaço e muitas vezes o álcool companheiro obrigatório para manter-se aceso o tempo todo roubam a vida do ídolo que deixa sua plateia inconsolável. A volúpia de ganhar dinheiro, aproveitar a fase que atravessa e aceitar compromissos estafantes são iscas nada boas, mas o artista cai. Os automóveis cada vez mais seguros com cintos de segurança e outros apetrechos dão certo grau de confiança, mas as estradas são geralmente deploráveis por todo o Brasil com buracos e animais que na noite não são vistos. Independente de compromissos artísticos a vida pessoal boêmia que faz parte da alma dos que fazem a noite expõe o artista também no seu dia-a—dia. A lei seca não funciona nesses casos, pois a certeza que nada vai acontecer predomina. Nenhuma lei, nenhum contrato regularia essa proibição de vagar pelas ruas e pelas estradas. Perder um artista é uma pena. Não existe faculdade de artistas nem vestibulares com milhares de inscritos. Não, a arte não é para todos, é um prêmio que cada um recebe não se sabendo por qual mérito. Ele nasce pronto, é só desenvolver sua habilidade e zelar por ela. O povo é seu combustível, o aplauso seu alimento, o palco sua vida. Zelem por ela!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

MEU FILHO É UM GÊNIO

FERNANDO AZEVEDO


Vou vender o peixe pelo mesmo preço que comprei. Um querido amigo me relatou uma vez que outro seu amigo tinha um filho que ele considerava um gênio. E relatava na roda de convivência que ficava bobo com a inteligência do filhote, que era bom em tudo, que aprendeu a ler muito rápido e isso e aquilo. Notava também que o filho já não tinha companhia porque não se interessava pelas conversas das outras crianças. Resolveu então leva-lo a um psiquiatra infantil muito famoso que era seu amigo para saber como abordar o caso. Na primeira consulta já veio a conclusão do colega: - João teu filho não tem nada de gênio, ele é CHATO. A história vem à propósito de um artigo interessante sobre esse rótulo que é muito comum. O elogio quase que permanente à inteligência do filho faz com que a consciência da própria inteligência não ajude a criança. Ele começa a dividir o mundo naquilo que ele é bom e naquilo que não é bom. –“Ah se não sou bom para soletrar vou fazer o próximo exercício” tendo como estratégia de vida buscar o prazer e evitar a dor. Depois começa a descrer de suas próprias habilidades subestima a importância do esforço e superestima a necessidade de ajuda dos pais. Um teste realizado nos EEUU com mais de 400 crianças da quinta série desafiava meninos e meninas a fazer uns quebra-cabeças relativamente fáceis. Ao fim alguns eram elogiados pela sua inteligência (“você foi bem esperto heim!) e outros pelo esforço (“ puxa, você se empenhou pra valer heim!). Em outra rodada, mais difícil, os alunos podiam escolher entre um novo desafio semelhante ou diferente. A maioria dos que foram elogiados como “inteligentes” escolheu o desafio semelhante. A maioria dos “esforçados” escolheu um desfio diferente. Então as crianças devem ser sempre elogiadas pelo seu esforço em progredir e não exaltadas pela inteligência que possuem. Fica a dica. “Celebre o sucesso, mas não se esqueça de comemorar também o fracasso seguido de nova tentativa”.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

NO MEU TEMPO NÃO ERA ASSIM

FERNANDO AZEVEDO

Não tive a felicidade de conhecer avós a não ser minha avó paterna já idosa e sem paciência com crianças. Era uma grande pianista e com sua arte ganhou o necessário para sustento dos filhos tocando no tempo do cinema mudo, em outros eventos e ensinando. Sorte das crianças que aproveitam seus avós, categoria à qual pertenço há 20 anos. Estamos naquela de ajudar no que for preciso, ficar em casa hospedando netos para que o casal vá a um cineminha etc. e até torcendo para que essas sessões sejam frequentes. Não concordo com a famosa plaquinha “na casa da vovó pode tudo”, mas aceito o “quase tudo” porque temos que contribuir com a educação dos pimpolhos, mas sempre com o coração mais brando, sem desgaste, para que a convivência seja a mais harmoniosa e a lembrança dos velhos a melhor possível. A vida de hoje está complicando essa relação e a disponibilidade não é mais abundante, pois a terceira idade voltou ao mercado ou trabalhando ou se divertindo e, sobretudo viajando. É impressionante a quantidade dessa turminha em aeroportos e, sobretudo nos navios. Nosso tempo foi bom. Infância despreocupada, juventude gostosa sem os medos de hoje. Isso a gente pode comparar e ganha. Outras não da. Dentista por exemplo era terrível, brocas inesquecíveis, traumas até hoje. Viagem de avião a hélice que tal? No quesito automóvel é um abismo. Na medicina o avanço é inesgotável em técnicas cada dia mais elaboradas. Cirurgias endoscópicas, stentes, transplantes, imagens, diálises, UTI, (embora a assistência médica esteja um caos) não permite um termo de comparação. As crises de asma que tanto maltratavam as crianças (e matavam) eram tratadas com xaropes péssimos e mezinhas. Comprar um cancão (pássaro da caatinga que se dizia atrair a asma para si, livrando a criança) era uma providência muito usada. Hoje temos muito mais possibilidades. Então vovós não pensem em reeditar o Vick Vaporub no pé calçando uma meia depós, o álcool no pescoço e no corpo para baixar a febre, inseticida para matar piolho (Neocid em pó) e outras coisas que ficaram para trás de vez. “No meu tempo se usava”! Tudo bem, mas esse tempo passou.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A DROGA LÍCITA E AS ILÍCITAS

FERNANDO AZEVEDO


Não quero dar desculpas, mas esclarecer uma cosia sobre drogas. Todos os setentões merecem perdão por terem entrado pra valer em álcool e cigarro. Vocês não podem imaginar o que o pós-guerra com os cowboys americanos tomando uísque puro (daí o nome de cowboy a quem toma uísque assim) e mostrando sua valentia e pontaria com o revolver (outro mal muito usado) os grandes conquistadores tomando uísque “on the rocks”, vinhos e champanhes tragados em festas deslumbrantes. O cigarro no canto da boca característica dos valentes ou nas piteiras dos elegantes era irresistível. Medicamentos a base de álcool para as crianças inapetentes (eu adorava um tal de Glimiton) ou um cálice de vinho do porto com uma gema crua deixando uma leve sensação de embriaguez tornava a falta de apetite um troféu. Os malefícios do álcool e cigarro eram totalmente escondidos se é que eram realmente conhecidos. Conversando com primos de minha idade, relatava um deles que meu tio dava como presente de 18 anos um pacote de cigarros e um isqueiro. Hoje cai nessa quem for ignorante. Uma semana de fumo cria dependência. O álcool como hoje é tomado, diariamente, pois as escolas estão rodeadas de bares e as festas são contínuas principalmente nas férias tem criado dependentes com muita frequência e fico impressionado com isso. DROGA LÍCITA. Lícita porque traz grandes lucros ao país, mas não lembram os males e gastos com a saúde além do fracasso social e familiar do dependente. DROGA ILÍCITA, essa é terrível porque você tem que compra-la na moita, no submundo com dependência química mais forte ainda e mais rápida. É assombroso seu aumento entre os jovens muitos deles associados como patrões do tráfico e infiltrando-se na classe média e alta o que evita o contato dessas pessoas com os marginais, polícia etc. Escrevo como ex-fumante que entre 30 e 40 anos abandonou o cigarro com um trabalho de conscientização. Sabia eu como médico dos males dessa droga lícita. Não foi nem é fácil largar. Mantive minha cervejinha diária noturna até que uma pancreatite me deu um aviso grave para parar. Virei “pastor” como me chamam e ainda é mais difícil largar o copo que o cigarro, pois a toda hora e em qualquer lugar você é convidado para uma dose. O fumante hoje não é aceito, incomoda, mas o abstêmio tem que segurar as pontas pra não cair na tentação.