segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A MÃO E O PÉ

FERNANDO AZEVEDO
 
Outro dia estava conversando com meu primo Cacá (Ricardo Breno) a respeito de mediunidade, religiões, e chegando a uma conclusão que às vezes na vida um pequeno fato determina o sucesso de uma pessoa. Falávamos de “caveiras de burro” como se chamam alguns pontos comerciais que não dão certo, azares, sortes e destinos. Muitos valores sem serem reconhecidos e aí abordei o mundo musical com tantos talentos que não conseguem um espaço e tantos medíocres que chegam lá. Dentro dessa conversa entrou Lula cuja mãe foi uma retirante por não ter um companheiro à altura e que levou num pau-de-arara a filharada para São Paulo. Coragem de mãe mesmo. Filhos do mesmo pai e da mesma mãe, todos (estou dizendo Lula e irmãos) tornaram-se trabalhadores braçais e pela pobreza e ócio, alcoólatras. Dentro da prole, lá vem a mão que pega um que mantendo a ignorância passa como líder metalúrgico a ser usado como um intermediário entre a peãozada e os poderosos, misturado entre Romeu Tuma e os grevistas. Com inegável e incrível habilidade vai ganhando projeção e torna-se Presidente do Brasil. Não se pode negar o valor, a qualidade e a liderança para lidar com pobres, e ricos empresários. A grande decepção é que estava entranhado na sua formação moral maus costumes que um estadista não deve tê-los. O exemplo da falta de estudos foi tido como um troféu, a bola de ouro dos futebolistas, o grande prêmio. Os sucessivos porres públicos estimulou o comportamento igual de seus pares e a roubalheira, parte por mau caratismo mesmo, e parte pela incompetência, tornou-se o apanágio dessa cambada de sem vergonhas que nos dirige. Os intelectuais petistas de primeira hora, idealistas de um projeto político e social (houve um tempo em que eu quase comprava uma passagem nesse navio) abandonaram o barco imaculado e dos porões onde estavam escondidos, saíram Malufs, Sarneys e Roseanas, Renans, Rosemarys, Martas, Cabrais e outros escatológicos parasitas que estão consumindo o nosso erário e dando os piores exemplos a uma juventude que passa a achar também que o modelo é esse. Nenhuma atenção ao saneamento, à educação e à saúde do povo com programas que realmente tirem o brasileiro da miséria, mas fácil distribuição de dinheiro para consumo de alguns itens de conforto, e com isso desestímulo para produzir, para sair do caos, da ignorância e do despreparo. Dar a Lula títulos de Doutor Honor is Causa diminui em muito os grandes valores que receberam esses títulos. O dele tem o cunho comercial e bajulatório. Você Lula, recebeu a mão que puxa as pessoas para cima, mas errou em não aproveitá-la exceto para enriquecer a si e a seus companheiros, alguns na Papuda. Cuidado agora com o pé, sim Lula o pé na bunda, ele mesmo. Ele é vigoroso!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

SÍNDROME DE DOWN

FERNANDO AZEVEDO


Tenho uma relação de afeto especial com as crianças e adolescentes Down. A minha impressão é que são depositadas neles todas as bondades do mundo, toda a honestidade que se devia ter e não se tem, e um amor pelas pessoas sem falsidade, bem claro e transparente. Na minha vida de Pediatra e esse ano completo 50 anos, tenho um contato mais frequente com Isabela que já anda pela casa dos 25 ou mais e não me deixa nem eu a deixo e é um dia premiado quando ela vai ao consultório e sempre termina o papo com um muito obrigado que derrete qualquer coração. Antigamente muitos não viviam muito pelas complicações das cardiopatias hoje corrigidas. Não eram muito estimulados porque também não eram muito evoluídas a Fisioterapia, a Fonoaudiologia, a Odontologia, TO e outras ciências que fazem parte da Equipe de Saúde. Ninguém é ninguém sozinho. Os colégios precisam avançar e neles ainda há uma enorme precariedade e só alguns recebem crianças especiais o que é lamentável. Uma coisa importante foi a modificação do comportamento dos pais e da própria sociedade. Antigamente qualquer criança que não pertencesse aos padrões “normais” era escondida pela família, não frequentava escola nem a própria sociedade e com isso não alcançavam nenhum progresso. As coisas mudaram felizmente e ai está a APAE, o AACD e outras entidades que dão todo o apoio aos que apresentam dificuldades com audição, visão. Aos que tem problemas de locomoção o Brasil está na idade média. Não há calçadas decentes, os carros adaptados são raros embora tenha havido progresso nos projetos arquitetônicos com a exigência de rampas e elevadores, mas ainda é muito dura a vida dos cadeirantes no país. O assunto de hoje é uma referência ao comportamento da família do governador que recebeu com o maior carinho e orgulho o pirralho Miguel a quem dou também as boas vindas.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

NOVAMENTE O TDAH

FERNANDO AZEVEDO

Recentemente repassei uma matéria a respeito do assunto. Tratava-se de uma declaração do Prof.Leon Eisemberg, americano, nome respeitadíssimo na ciência psiquiátrica e que morreu em 2009 de câncer de próstata. Dizia a reportagem que antes de morrer teria ele dito que o TDAH doença estabelecida por ele em 1968 “era o principal exemplo de doença fictícia” e refere-se o artigo também à vida luxuosa vivida por ele graças à indústria farmacêutica que vendeu toneladas de medicamentos para essa doença. A reportagem é chocante porque mistura o valor científico do Professor, sua confissão de culpa e a grande soma de dinheiro que ganhou com seus conceitos. Saibam todos que a relação médicos, sobretudo os pesquisadores e laboratórios existe e a própria revista der Spiegel afirma que dos 170 médicos que trabalharam na elaboração do Manual of Mental Disorders, 56% tinham ligações com a indústria farmacêutica.  Li vários depoimentos de pacientes e pais rotulados como TDAH em si próprio ou nos filhos, alguns favoráveis e outros desfavoráveis ao uso da droga. A teoria que admitia ser a doença genética caiu tendo o Professor declarado meses antes de morrer ser o TDAH uma doença psicossocial determinada pelos meios como os pais, professores e pessoas ligadas à vida de uma criança a conduzem na vida e que trabalhar esses comportamentos leva muito mais tempo que prescrever uma pílula. Outra psiquiatra escreve uma coisa interessante: “Deixar a criança ser mais Rita Lee (sorrir, cantar) e menos Rita Lina”. Não tenho a menor pretensão de estar contestando diagnósticos, mas não aceito que numa consulta ou num breve tempo, sem um levantamento psicossocial bem feito se condene uma criança a tomar Ritalina para abestalha-la. Nos Estados Unidos chega a 10% a incidência da doença e isso não pode ser verdade. Defendo ardorosamente o TDPCC (transtorno de déficit de paciência com criança). As famílias se desestruturam a olhos vistos. Faltam as babás de outrora que muito ajudaram no amor às crianças (a minha morreu recentemente com 92 anos, minha inesquecível Zefa) faltam avós, os colégios não toleram nenhuma criança “diferente”, os próprios pais não enxergam que os filhos não são iguais e querem estabelecer um padrão único de educação e aí se torna super prático dar um comprimido e deixar o pirralho quieto. O tratamento surte o efeito desejado e a criança enquadra-se perfeitamente no diagnostico. Nada disso, o menino está drogado, nada mais que isso, e por quanto tempo? Algumas prescrições de clientes meus deixam o menino “descansar” nos fins de semana e nas férias. O menino tem direito a aporrinhar os outros por 2 dias e nas férias? O transtorno existe, mas não é epidêmico nem contagioso. A sociedade como um todo é que está ruim basta ler os jornais e noticiários televisivos no Brasil e no mundo. Gerações destruídas! Surge agora o moderno TOD ou Transtorno opositor desafiador. A contestação por parte da criança, a oposição a argumentos seja em que lugar aconteça é doença e não um traço de inteligência e personalidade. Fui com certeza um TDAH ou um TOD não tenho a menor dúvida, pois quem na minha época estudou em seis colégios já viu! O problema é que eu não conseguia me interessar por assuntos desinteressantes e pulava a janela sem nenhum arrependimento até hoje. Acho que o colégio, a escola em geral, poderia ser um agradável centro de convivência explorando o conteúdo básico, mas sem a neurotizante busca de resultados de conteúdos inúteis. Não se ouve falar em jogos escolares, em artes em geral, é só competição. O curral não aceita um potrinho irrequieto e não descobre talentos. Querem somente os retratos dos carecas nos jornais e não fazem ideia do stress que os jovens passam. A vida é dividida em fases. Felizmente estou na ultima, mas com o espírito da primeira, “da minha infância querida que os anos não trazem mais”.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

ORAÇÃO A SANTA CECILIA

FERNANDO AZEVEDO

LIVRAI-ME SANTA QUERIDA /DE TANTA IMBECILIDADE/A MÚSICA É PARTE DA VIDA/ MAS NÃO ESSA MEDIOCRIDADE/E ESSES COMPOSITORES/QUE O BRASIL OUVE E DELIRA/SÃO NA VIDA UNS IMPOSTORES/QUE A MÍDIA NOS ATIRA.

Santa Cecília é a padroeira dos músicos e só pedindo a ela uma proteção. Na coluna de Ancelmo Gois (JC 9.1.14) leio essa noticia que não vou classificar de estarrecedora porque a mediocridade no Brasil só aumenta. Vejam as pérolas: “PAIS SAFADINHO. Acredite: Sabe qual foi segundo o ECAD a música mais tocada em 2013 nas boates e casas de show? Louquinha, dos sertanejos João Lucas e Marcelo. Um trecho: Louca louquinha/Dá uma empinadinha/Dá uma agachadinha/Você tá soltinha/Que é isso gatinha? Em segundo lugar ficou Amor de chocolate de Naldo. Um trecho: Eu não tô de brincadeira/ Eu meto tudo, eu pego firme pra valer/Chego cheio de maldade/Eu te ligo e chega a noite/Vou com tudo e vai que vai/Tem sabor de chocolate/O sexo que a gente faz. E finalmente: o terceiro lugar foi Gatinha assanhada de Gustavo Lima. Um trecho: Gatinha assanhada/Cê ta querendo o que?/Eu quero mexer/Eu quero mexer”.
Na minha visão tudo começou no desgoverno Collor. A esposa adorava dupla caipira e levou as famigeradas para o Palácio do Planalto. A partir daí essas porcarias foram se multiplicando e tomando conta do cenário musical brasileiro. Haja Xitãozinho com Chororó, fulano com beltrano, todos com o mesmo timbre insuportável. Melodias e poesias de jogar no lixo, mas de tanto ouvir, o povo foi assimilando e exigindo a presença deles nos grandes eventos. Nessa esteira veio o funk e outras coisas escatológicas.
Por vergonha sumiram os grandes compositores e poetas, e não vejo mais produções boas da velha guarda. Os samba enredo não dizem mais nada e os temas são patrocinados por governos, uma vergonha. As deliciosas marchinhas cariocas se acabaram e mesmo a Fundição Progresso realizando concurso todo ano não extrai nada de valor. Não há renovação nos nossos frevos, ninguém divulga nada. Compor pra que?

Tá muito ruim Santa Cecília. Veja se da um jeito nisso porque tem muito Faustão por ai com muitas horas de programa e nesses não são convidados os grandes instrumentistas e cantores (as) brasileiros. É uma lastima. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O OLÉ E O ROLÉ.



FERNANDO AZEVEDO
 
Minha primeira viagem ao Rio de Janeiro foi em 1949. Entre as atrações turísticas estava o Maracanã, o maior estádio do mundo que vimos por fora, pois ainda estava em obras para a Copa do Mundo de 1950. Essa foi a minha primeira Copa. Barbosa Augusto e Juvenal, Bauer Danilo e Bigode, Friaça (substituto de Maneca) Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Esses eram os nossos guerreiros. O Brasil ao pé do radio, famílias inteiras reunidas. A cada vitoria mais entusiasmo e orgulho pátrio. No jogo com a Espanha houve um fato interessante. O Brasil ganhava de goleada, todo o estádio vibrava a cada gol e um homem baixinho chorava. Como pensaram que ele era espanhol começou uma xingação. Ele explicou; - Não sou espanhol. Sou brasileiro, e choro porque a música que vocês estão cantando é minha. Todo o estádio cantava Touradas em Madri de João de Barro o Braguinha. A final fatídica foi comovente, o Brasil chorava de meninos a velhos e eu nos meus 10 anos de vida passava pela maior “primeira emoção”. Seguiram-se outras, 1954, 1958. Aí surge Pelé um adolescente de 17 anos. Em 1962 o bicampeonato com a maestria de Garrincha, a enciclopédia Newton Santos e o possesso Amarildo de Nelson Rodrigues.  Em 1970 o tricampeonato no México visto de junto pelo meu irmão Luciano que voltou encantado com tudo, sobretudo com a cordialidade entre as nações e a receptividade do povo mexicano. Seguem-se as outras até chegar a nossa vez de novamente sediar esse magnífico evento esportivo. Só que agora a Tourada é outra, não é mais a de Braguinha. A tourada está nas ruas com os Black-bloks e o Olé foi substituído pelo Rolé ou rolezinho para os íntimos.  O país não tem mais ordem. O PT e seus ladrões nos avacalharam para o mundo. Ali Babá não conseguiu abrir os jogos pan-americanos e a Presidenta foi barrada na Copa das Confederações. A vaia foi intensa, imensa. Na minha escola primária cantava o Hino Nacional Brasileiro com o maior orgulho e isso me fez amar esse meu país que vejo ser entregue a ladrões rasteiros e medíocres. O mundo está decepcionado com tudo que vê e teremos tempos quentes em Junho. Os jogos que sempre foram uma fonte de integração se desintegraram. O medo de ir para as ruas é grande e a FIFA suspende os eventos públicos com telões sobre os jogos. Os patrocinadores sofrem os danos. Em qual país existe rolezinho? Perdemos esse jogo. Não interessa o placar das pelejas e não haverá a virada no segundo tempo. Muito triste!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

BOA PRAIA

FERNANDO AZEVEDO

“Quem é de fato um bom pernambucano” como dizia meu saudoso amigo Luiz Bandeira não sai da terrinha em Janeiro. Sai do Recife. Recebem os parentes que moram fora e os turistas de todo o Brasil superlotam nossas praias. Alguns querem realmente repouso e outros badalação passando o dia dormindo e curtindo a noite e esse é o grupo dos adolescentes que não aparecem na praia e voltam das férias só com o banho de lua. Alguns cuidados para não perderem a alegria de umas férias planejadas vale à pena serem lembrados.
1. Se seu filho enjoa em viagem de automóvel meia hora antes de viajar dê uma dose de DRAMIN gotas – assim ele provavelmente dormirá e chegará muito bem.
2. Alimentação – um bom café da manhã é prudente. Depois na praia entram os picolés, água de coco para uma boa hidratação e não dê de forma alguma alimentos suspeitos como peixe, ostras, camarões etc. que se deterioram facilmente. Leve numa caixa térmica sucos, frutas aquosas como melancia, abacaxi e periodicamente ofereça à meninada.
3. Em praias superpovoadas não perca de vista o pirralho e uma identificação numa pulseira é prudente. O números de crianças que se perdem em praia é alto.
4. O sol faz bem antes das 9 horas, mas depois dessa hora o protetor solar é uma boa. Não use os sprays, pois não fazem uma boa camada protetora.
5. As praias do interior ainda têm muitos insetos e os repelentes e inseticidas são válidos, sobretudo na parte da tarde quando aparecem mais. A pele já agredida pelo sol, quando picada por mosquitos que provocam coceira provocam às vezes inflamações importantes e lá se vai a temporada tão esperada.
6. Não confiar em boias de braços. A corrente leva a criança. Mesmo os que sabem nadar devem ter o maior cuidado com correntezas e não brincar com c0olchões infláveis etc.
7. Todo cuidado com atropelamentos por jet-sky, barcos em geral, autos e motos que invariavelmente invadem as praias do nosso litoral.
8. A turma da balada tem que tomar umas e outras com moderação sendo às vezes nas férias que começa o hábito da bebida e que segue em frente na volta às aulas.
9. Lembrar que os pais dormem até tarde, pois curtem a noite, que as piscinas de casa ou hotel são um chamariz para os pequenos.
10. Boas férias.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

TOPLESS E MAMAÇO

FERNANDO AZEVEDO

Quer um grupo de mulheres de Ipanema ter o direito de andar com os peitos de fora e acho que é uma reivindicação a ser julgada. Mas vamos aos fatos. Diz esse grupo que do jeito que existe o MAMAÇO, elas também tem o direito de expor seus seios. Ora minhas caras senhoras, o mamaço surgiu para a defesa da criança, sobretudo, e pela paixão das mães pelos filhos, coisa muito nobre que não da para ser comparada a coisa vulgar. Algumas mães sofreram o constrangimento de ao amamentarem seus filhos em local público serem advertidas e solicitadas a saírem do local. Coisa de imbecil que nunca teve mãe, que foi cuspido e não parido. Juntaram-se então mães bravas e marcando reunião através de redes sociais realizaram em diversos locais o que ficou conhecido como MAMAÇO. O ato é lindo e incomparável. Uma criança que tem fome é saciada pelo insubstituível leite materno. Ao se olhar essa cena é como aplaudir uma peça teatral em cena aberta. Uma criança deve ser parada para assistir, e copiar quando chegar sua vez de ser mãe. Voltando ao peito aberto e livre ao sol não tenho nada contra, mas acho que vai dar confusão. Se quiserem tomar sol tem sempre um lugar mais reservado para isso. Acho o nu em quadros e fotos uma arte, mas dentro da bela arte existe também a vulgaridade, o mau gosto. O ato de amamentar é lindo em qualquer lugar. Essa é a profunda diferença. A exposição do corpo é um problema de cada cultura no mundo. Os indígenas andam completamente nus e não há nada demais. Nas escolas de samba no carnaval estão todas com os peitos de fora e ninguém liga mais. A mulata globeleza também está nua e as muçulmanas com burca não deixando um centímetro de pela mostra. Ofende-me somente a comparação de um topless vulgar com o mamaço.