segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

PEDIATRIA E ARTE



PEDIATRIA E ARTE

FERNANDO AZEVEDO
Desde o ano passado, os domingos e feriados tem sido a alegria dos ciclistas e como isso faz bem à cabeça e ao corpo! O passeio em família é uma forma de integração nesse dia corrido de pais e crianças. Vibro ao ver as ruas repletas de bicicletas, mas vejam esses cuidados obrigatórios para a segurança de adultos e pirralhos. As recomendações são do Comitê de acidentes na infância da Sociedade Brasileira de Pediatria. Compartilhar é bom pois aumenta muito a divulgação.

Segurança dos ciclistas
Vera Lucia V. Gaspar
Andar de bicicleta é uma das atividades físicas preferidas pelas crianças e adolescentes. Mas a bicicleta deve
ser vista como um veículo, nunca como um brinquedo. O ciclista é considerado um condutor vulnerável,
sujeito a acidentes graves e, com frequência, a traumatismos cranianos e até mesmo à morte.
Por isso, recomenda-se que os pais, antes de comprar a bicicleta, orientem o filho a respeito da segurança
no trânsito e adquiram capacete, luvas e protetores de joelhos e cotovelos.
O tamanho da bicicleta deve ser adequado ao do ciclista: está apropriado quando a criança, assentada no
selim, segurando o guidão, consegue apoiar completamente os pés no chão.
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Além das recomendações acima, devem ser observados os seguintes cuidados:
• O capacete, equipamento indispensável, é considerado uma forma de proteção imprescindível para o ciclista,
da qual ele nunca deve abrir mão.
• O Código de Trânsito Brasileiro aponta como de uso obrigatório a campainha, a sinalização noturna dianteira,
traseira, lateral e nos pedais e o espelho retrovisor do lado esquerdo.
• A roupa deve facilitar a visualização do ciclista.
• Deve-se evitar calçados que possam prender-se na bicicleta, e nunca se deve andar descalço.
• É importante conhecer e respeitar a sinalização do trânsito.
• Os locais mais seguros para andar de bicicleta são as ciclovias e as áreas destinadas ao ciclismo, separadas
do trânsito de motocicletas, carros, ônibus e caminhões.
• Deve-se transportar somente uma pessoa por vez em cada bicicleta.
• Recomenda-se pedalar no sentido do trânsito, nunca na contramão.
• Nunca andar segurando na traseira de ônibus ou caminhão.
• Evitar excesso de velocidade.
• Não se deve tirar as mãos do guidão nem realizar manobras perigosas e “acrobacias” com a bicicleta.
• O ciclista deve andar durante o dia, evitando o entardecer e a noite.
• Evitar o uso de fone de ouvido porque, além de impedir a imprescindível atenção aos sons ambientais,
leva à distração, aumentando o risco.
• Bebidas alcoólicas e drogas são responsáveis por grande número de acidentes.
• A manutenção é um ponto importante de segurança. É necessária a manutenção periódica das correntes
 



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

SEXTING: SABE O QUE É?

FERNANDO AZEVEDO

Sexting ativo é enviar foto nu e o passivo é pedir ou ser solicitado para uma foto nu. Esse estudo foi feito no Texas e publicado pela Sociedade Brasileira de Pediatria no seu SBP Ciência, transcrito da revista Pediatric’s a mais importante da especialidade. Entre os participantes foram avaliados 964 adolescentes com idade média de 16,09 anos, 56% do sexo feminino, 31% afro americanos, 29% caucasianos, 28% hispânicos e 12% outros. A chance de ser sexualmente ativo foi de 1,32 vezes maior nos jovens que enviaram uma sext, mas não houve relação temporalmente associado a comportamento sexual de risco e pode ser um indicador viável de atividade sexual na adolescência.
Li recentemente em uma revista que a Playboy estaria encerrando suas atividades proximamente e está com a razão. Deve haver uma enorme queda nas vendas, pois a revista obrigatória dos banheiros dos adolescentes não tem a menor finalidade nos dias de hoje. Acompanho como leitor de revistas médicas a preocupação que se tem há algum tempo com o uso indevido do computador e da internet, mas as medidas propostas beiram a insanidade embora sejam lúcidas: UM computador em cada apartamento e em local aberto tipo sala. A recomendação na teoria é uma beleza, mas na prática é risível A pornografia, a prostituição e o abuso infantil estão nas redes e gangs especializadas nisso atraem suas vítimas, a rede pega o peixinho. Confesso, no entanto que não conhecia nem o termo SEXTING nem o seu significado e nem encontro a palavra nos meus dicionários de inglês. Um neologismo sem dúvida.
Muitas coisas que vejo no mundo de hoje me levam a um pensamento: ainda bem que meu pai já morreu. Hoje já estou ficando nessa situação, pois tem coisas que não gostaria nem de saber e muito menos de ver. O romantismo, o mistério das coisas referentes ao sexo tornava o mundo mais inocente e mais bonito. Não tem mais jeito. Bola pra frente, mas sabe-se que isso não da certo. Jogo perdido.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

FÉRIAS: INATIVIDADE E OBESIDADE.

FERNANDO AZEVEDO

Há umas décadas o mundo preocupa-se com a obesidade, doença difícil de tratar e à qual se associam outras como hipertensão, diabetes, doenças articulares e fiquemos por aqui. No período de aulas a criança de classe média dorme, entra no carro, senta na escola, volta de carro para casa, vai para o computador e dorme de novo. Gasto calórico mínimo e com alimentação inadequada começam os quilinhos a mais. As férias infantis seriam o remédio ideal para aumentar a atividade física, mas o tal do i-pad, i-phone e computador fazem com que as crianças e jovens desempenhem pouca atividade também nessa época . Dormem tarde acordam tarde e alimentam-se mal. O estímulo à atividade física começa no primeiro ano. A partir dos cinco meses já é hora de começar a estimular o desenvolvimento, tirando a criança do carrinho, da cama e do braço. Mexa-se é o lema. Nos primeiros anos a criança é muito ativa, está a descobrir o mundo e não para quieta daí surgir a classe de babás que só cuidam de crianças até os seis meses. Como vão para escolinhas com pouca idade além de algum aprendizado a brincadeira é obrigatória. Os presentes para as crianças devem ser aqueles que estimulem o movimento tais como bolas, velocípedes e depois bicicletas, patins etc. Hoje a competição precoce está tirando a criança do esporte recreativo e desinteressado por resultados. O conhecimento com computadores e afins que às vezes é orgulho de conversas de pais tal a rapidez com que conseguem dominar a técnica do uso está deixando a criança parada. Aproveite as férias estimulando ao máximo o interesse pela atividade física, conversando também sobre a importância de uma alimentação adequada. Mãos à obra agora e na volta às aulas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O GALO DA MADRUGADA E OS CAMAROTES

FERNANDO AZEVEDO

Vejo nos jornais que a Rede Globo não colocará mais seu camarote de famosos na Praça da Independência. Notícia boa. Nem debaixo de cacete eu iria se recebesse um convite, porque não tem nada com o carnaval e muito menos com o Galo. Um dia chego ao consultório e encontro sobre minha mesa um pacote com uma fantasia de árabe, uma sandália de couro e um bilhete de Enéas, meu querido Neinha obrigando minha presença no primeiro desfile após a fundação. Coisa de maluco, mas cumpri a determinação não sem antes impor a presença de um amigo querido Jota Passos para me acompanhar e lógico tomando uma lapadas matinais pra animar. Não éramos mais de 70 pessoas, uma orquestra a pé, uma caminhonete com um barril de chope abastecendo e tirando a sede de caminhantes frevantes que desfilavam num dia normal de trabalho na cidade do Recife para espanto geral da população. Foi bom demais. Ano seguinte aumento meu grupo, tornei-me diretor, e compus com Fernanda Aguiar o Frevo do Galo eu fazendo a letra e ela a música. Acorda Recife acorda que já é hora de estar de pé, e o Galo saia na madrugada mesmo. Mais uma orquestra a pé, mais outra e lá vem à reclamação dos músicos que levavam muita pancada na boca, pois o Galo cada dia tinha mais gente. Veio a solução: tocar em cima de caminhões tipo pau-de- arara com um toldo. Vários diretores foram contra, mas voto vencido. Era pouco ainda e vieram os trios elétricos e em seguida os GIGANTESCOS trios elétricos. A Rua da Concórdia já não cabia e há quatro anos tem o percurso modificado. Neinha dizia que o sucesso do Galo era devido à praga que roguei numa composição também com Fernanda A PRAGA DO GALO gravada por André Rio onde eu dizia que quem não quer sair no Galo tem dez anos de azar. Começa então a frescura de camarotes de famosos que tem cabeleireiros, massagistas, lounge, petiscos e boca livre. Nada contra aluguel de casas e escritórios onde se monta uma estrutura e reúnem-se amigos, mas o tal do camarote é inaceitável e insuportável porque nada tem de carnavalescos nem de carnaval. Não precisamos de importação de ninguém também porque vira carnaval baiano que nada tem a ver com o carnaval pernambucano. Então parabéns à Rede Globo pela decisão, pois da exemplo a outras empresas de mordomia que espero copiem o gesto. Carnaval tem que ter cheiro de gente e não de madames perfumadas. Entendo que não pode o Galo da Madrugada voltar ao passado de orquestras no chão. As mudanças são necessárias, ajustadas a cada tempo, mas explorando a riqueza dos nossos ritmos e o valor dos nossos artistas. O Galo esse ano homenageia Carlos Fernando um revolucionário carnavalesco e grande figura além de excelente compositor. Isso casa com o ideal de Enéas Freire a quem o Recife deve e não paga o que ele fez por nosso carnaval. Para ele compus o PALACIO DO GALO: Enéas Freire vem ver teu palácio/ tá muito lindo nesse carnaval/ foi um presente que tu deste ao Recife/ e na cidade não tem nada igual. É amarelo de amor/ e elo de união/ entre teus filhos nessa multidão/que são palhaços pierrôs e fantasias mil/ de toda parte desse meu Brasil. Viva o Galo, e o carnaval fora dos camarotes.
PS – passou-me pela cabeça quando o Galo modificou o percurso fundar o SAUDOSOS DA CONCÓRDIA para o pré-carnaval. Não tenho tempo, nem dinheiro e nem sei pedir o vil metal. Mas repertório tinha todos em paródia de clássicos do carnaval. Ficou no sonho, nas nuvens.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O MÉDICO, O ENCANADOR E O ELETRICISTA.

FERNANDO AZEVEDO

Desde que li o primeiro livro de Rubem Alves que senti uma identificação enorme com seus pensamentos. Não discordo de nada, praticava e pratico suas ideias muito antes de conhecê-lo, sobretudo nessa área onde atuo, com crianças e consequentemente com a saúde e educação delas. Agora leio O MÉDICO e lá está tudo que se precisa saber sobre essa arte descrita por um pedagogo, filósofo, poeta, ensaísta, teólogo, psicanalista uma das maiores inteligências que esse Brasil possuiu e que 2014 nos roubou. Na apresentação escreve:
“Instrumentos musicais existem não por causa deles mesmos, mas pela música que podem produzir. Dentro de cada instrumento há uma infinidade de melodias adormecidas, à espera que acordem do seu sono. Quando elas acordam e a música é ouvida acontece a Beleza e com a Beleza, a Alegria. O corpo é um delicado instrumento musical. É preciso cuidar dele. para que ele produza música. Para isso, há uma infinidade de recursos médicos. E muito eficientes. Mas o corpo, esse instrumento estranho não se cura só por aquilo que se faz medicamente com ele. Ele precisa beber sua própria música. Música é remédio. Se a música do corpo for feia ele ficará triste-poderá mesmo até parar de querer viver. Em outros tempos, os médicos e enfermeiras sabiam disso. Cuidavam dos remédios e das intervenções físicas boas para o corpo-mas tratavam de acender a chama misteriosa da alegria. Mas essa chama não se acende com poções químicas. Ela se acende magicamente. Precisa da voz, da escuta, do olhar, do toque, do sorriso. Médicos e enfermeiras: ao mesmo tempo técnicos e mágicos, a quem é dada a missão de consertar os instrumentos e despertar neles a vontade de viver...”.
Faço essas considerações porque vivo aos 50 anos de profissão um misto de entusiasmo com o progresso da ciência médica misturado à decepção da falta do toque, da voz, e da escuta. A superespecialização médica confirma uma verdade infeliz a de que “ o especialista sabe tudo sobre quase nada e não sabe nada sobre quase tudo”. Nãoi é que ele não saiba, mas não se responsabiliza por outras áreas. Com isso o paciente é jogado de consultório em consultório e não se cria o vínculo de amizade e responsabilidade tão necessário para se produzir uma boa música naquele corpo. O Recife conta atualmente com cinco faculdades de Medicina e mais quatro no interior. Se abrirem mais dez terá alunos, mas não existe o PROFESSOR pois esse não se faze em série, é um dom especial que exige conhecimento, liderança, afeto por seus alunos e muitas coisas mais. Estão sendo formados prestadores de serviços sem dúvida. Chama, ele vem e resolve tal como o eletricista e o encanador, mas não sabe escutar sua música preferida.
FELIZ 2015. Viva a Orquestra de Médicos do Recife que há 18 anos trabalha consertando instrumentos.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

CONSIDERAÇÕES SOBRE MEDICINA PREVENTIVA

FERNANDO AZEVEDO

As Páginas Amarelas de Veja (3/12/14) trazem uma entrevista muito interessante com o grande cardiologista italiano Marco Bobbio, nome respeitado pela inteligência e cultura e hereditariedade já que é filho do grande filósofo e pensador Norberto Bobbio. Lançará um livro no Brasil O DOENTE IMAGINADO. “Expõe seus pensamentos na entrevista tais como “os tratamentos preventivos são falíveis” e receita um estilo de vida equilibrado que não prive as pessoas mesmo os doentes dos prazeres à mesa ou” o médico deveria intervir menos e esperar mais o curso natural das coisas”. Faz reflexões também faz sobre a longevidade já que ser centenário hoje está virando uma rotina mas com que qualidade de vida? Não concorda que intervenções em doenças que não mudarão seu curso possam trazer algum benefício para a vida do paciente. Culpa muito a especialização( embora considere necessária) pela visão fragmentada do indivíduo, não olhando-o com um todo e não respeitando suas vontades incluindo o morrer. Faz parte de uma nova medicina chamada Slow Medicine onde o lema é praticar uma medicina pouco invasiva e que respeite a vontade do paciente. Em relação à dieta consome pouco sal, pouco açúcar e toma uma taça de vinho na refeição, mas não se considera escravo e faz as suas exceções não resistindo a um doce que a gula peça. Não faz check-up, não toma remédios e como cardiologista nunca fez um exame de coração. Aconselha levar uma vida serena sem preocupar-se com o tempo que terá e não admite restrições aos prazeres de uma mesa mesmo para aqueles que tem doenças que imponham cautelas. Gostei muito dessa entrevista e me considero um jogador desse time. Acho que uma UTI deveria ter um delegado na porta proibindo a entrada de uma porção de doentes sem nenhuma chance de recuperação seja pela patologia ou pela própria idade. Acho um absurdo uma família ser consumida financeiramente pelos gastos com um programa médico que não levará a nada. Vocês podem pensar: é porque não é um dos seus e eu digo que fiz justamente com os meus pais que morreram em suas camas e na casa deles. Sempre tiveram o suporte afetivo mas nunca engenhocas médicas para aumentar a sobrevivência. Na minha vida médica fui oncologista por cinco anos por uma necessidade de se criar esse serviço no Hospital Barão de Lucena mas sem temperamento para a especialidade pois em alguns tumores nada se pode fazer para evitar o curso da doença e se destrói uma criança com a quimio e radioterapia. A medicina paliativa é bem mais honesta e humana. Jogo no time dos prazeres da vida, do sorrir do conviver com quem gosto, de me remoçar com as estripulias de crianças que hoje em dia tem sua infância roubada. Entendo que tenho setenta e quatro anos e não devo jogar mais futebol nem basquete. Não devo, apesar de ter disposição para entrar em campo. Não bebo há cinco anos e não sinto a menor falta embora adorasse da cachaça ao licor, mas sou alegre sem droga. “Caetana” já quis me levar três vezes e consegui com a ajuda inestimável de colegas ficar por aqui cantando na Orquestra de Médicos do Recife. Check-up só quando adoeço como acima descrito. Que fique bem claro que exerço a medicina preventiva com rigor com minhas crianças, desde o pré-natal, sou guerreiro da amamentação, mas quero ver crianças felizes e não tensas e depressivas e não vivo furando os meninos nem fazendo tomografias por ter um galo na cabeça nem endoscopias e procedimentos invasivos. Quanto a mim ainda não levei o tal do toque, mas vivo tocando meu violão. Dá mais prazer.
Prefiro o toque do meu violão!

sábado, 20 de dezembro de 2014

MEU RICO NÁUTICO E MEU POBRE NÁUTICO




FERNANDO AZEVEDO

Tive a sorte de nascer na Rua 48 bem em frente à Rua da Angustura no ano de 1940. Tive a sorte de ter um pai que foi remador do Náutico na década de 20 e que me levou junto com meu irmão Luciano a frequentar a velha sede incendiada em 1949 e reconstruída em 1951 pelo gigante Eládio de Barros Carvalho o nosso pajé inesquecível. Tive a sorte de ter meus primos Antonio Guilherme, Deminha e Cacá mais velhos que eu  de me atraírem para jogar basquete e futebol e em 1952 iniciei minha vida esportiva alvirrubra na Olimpíada Infantil comandada pelo formidável Jaime da Galinha. Tive a sorte de ver meu tio Waldemar Borges Rodrigues ser Presidente do Conselho Deliberativo e meu irmão Presidente do Executivo. Eu e meus primos Guilhermão e Deminha sócios eméritos. Ricardo Breno o Cacá, excede tudo porque foi atleta, diretor de todos os esportes amadores, Vice Presidente e Presidente do executivo, Presidente do Conselho Deliberativo, Sócio Emérito, Sócio Benemérito e Sócio Grande Benemérito. Ninguém no Náutico se aproxima desse currículo. Tive a sorte de ser atleta, diretor de basquetebol e diretor social sendo hoje sócio emérito e conselheiro nato. Esse é o genoma do meu corpo. Esse é o genoma de minha alma vermelha e branca. O corpo sofre com a idade, mas a alma se despedaça com as emoções. O nosso clube vem sofrendo perdas continuadas há algum tempo. Não falo de títulos, falo de respeito a esses 113 anos de história e meu espírito não está suportando isso. O Movimento Transparência Alvirrubra surgiu para uma recuperação do clube que estava mal administrado em todas as áreas. Veio a eleição e ouvimos todos os candidatos no Terraço de Cacá. Pareceu-nos que o MTA tinha em seu estudo todo o diagnóstico e tratamento para o Náutico. Confiamos e votamos maciçamente obtendo uma vitória retumbante com votos de 70% dos associados. Preparei com todo meu esforço e carinho a posse da nova diretoria junto com Cacá. Convidei Reinaldo Oliveira também primo, e ex-atleta para que fizesse o discurso na solenidade que já não mais existia, pois as posses eram “feitas nas coxas” como se diz vulgarmente e o Náutico não é assim. Foi uma noite solene e inesquecível com a sede lotada de crédulos. Começa a gestão e em poucos meses perdemos o diretor social Mario Celestino, pessoa dedicadíssima a quem ajudei no que pude. Inicia-se o campeonato e lá vai o dinheiro pelo ralo com mais de quarenta contratações de jogadores e quatro técnicos. Tudo que foi prometido para a recuperação da sede foi esquecido. A piscina recentemente fechada, local onde muitas crianças aprendem e se divertem com a natação. A quadra de basquete que construi na minha gestão como diretor e na João de Deus e Josemir Correia na presidência, cada dia mais decadente. Em nada o clube se sobressai a não ser  de forma negativa nas páginas de jornais. Cão danado, todos a ele, esse é o refrão aplicado contra o Náutico. Respeite nossa história Glauber Vasconcelos. Respeite o Conselho Deliberativo órgão máximo do clube. Naquela gigante mesa estão os espíritos de grandes alvirrubros e o corpo de outros. Não leve gangsteres para afrontá-los. Não solte rojões para estilhaçarem os vidros da nossa sala e não se fotografe ao lado de marginais. O Náutico não é esse e não é isso. Os funcionários reclamam os salários do tão esperado Natal e festas do ano novo. Não espere o impeachment obrigatório diante de sua conduta. Renuncie. Falta-lhe capacidade e credibilidade. Cante os versos de Adoniram Barbosa na música Trem das Onze: “sou filho único/tenho a minha casa para olhar. Não posso ficar”.