A medicina preventiva é da maior importância. A quantidade de crianças no mundo que morreu por contrair Sarampo, Poliomielite, Difteria, Tétano e outras doenças transmissíveis é felizmente uma página virada. Na minha vida médica no Hospital Oswaldo Cruz foi incontável os casos dessas doenças. Hoje felizmente os médicos mais jovens não as conhecem. A cada dia se tenta uma prevenção para doenças através de vacinas. Surgiu há alguns anos a vacina contra HPV. Trata-se de um vírus muito difundido causando infecções inaparentes e resolvíveis pelo nosso sistema imunológico. Numa proporção pequena algumas pessoas adoecem ou com manifestação mais leve que são as verrugas genitais ou com o câncer de útero que é o objetivo mais importante a evitar que aconteça. Essa vacina lançada inicialmente para aplicação em meninas de 9 a 26 anos, estendeu-se para aplicação também em meninos na mesma idade. O custo é de 300 reais por dose (3). O Ministério da Saúde programa aplica-la gratuitamente nos postos e escolas a partir de 2014. A faixa a ser vacinada é a de MENINAS de 10 a 11 anos. Em 2012 pesquisa mostrou que18,5% de meninas na 9ª. Série do ensino fundamental (13 a 15 anos) já mantinham relações sexuais (sudeste) e o índice alcança 25.5% na região norte. A transmissão desse vírus não é somente através de fluidos (como o HIV), mas por contato com mãos, boca. A não inclusão de outras faixas etárias é devido ao custo da vacina. Gratuidade somente nessa faixa mas se você puder, inclua seus filhos no programa (meninos e meninas) em clínicas de vacinação.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
segunda-feira, 8 de julho de 2013
FRALDAS, PARA QUE SERVEM?
FERNANDO AZEVEDO
Surge um novo padrão de conduta com seu início na Alemanha,
mas já com comunidades em outros países inclusive o Brasil. Já há através da
internet comunicações e adesões a esse tipo de conduta que está ai para vocês
seguirem ou não. É o ELIMINATION COMUNICATION traduzido para o português como
Higiene natural. Trata-se de novo método de higiene infantil onde a fralda é
abolida. A criança passa a ser observada e pela carinha e sons ela transmite a
vontade de fazer xixi ou cocô e rapidamente os pais a colocam no local adequado
e com isso o treinamento tanto dos pais como da criança torna-se precoce,
evitando assim o gasto com fraldas e as chamadas “dermatites de fraldas” muito
comum, sobretudo na era das fraldas descartáveis. Gostaria francamente de
conhecer ao vivo o método. Uma criança, sobretudo as amamentadas que tem
o famoso “pum molhado” e está sempre com a fraldinha suja ser colocado a cada
caretinha num vaso, ou mesmo bebê maior serem fiscalizados com essa finalidade,
leva os adultos que tomam conta a uma paranoia e não acredito quer isso possa
dar certo. O controle do xixi é mais precoce e o treinamento do cocô no penico
é deixado para quando a criança já está andando e tem a liberdade de querer
sair do vaso. Se tiver um horário certo e fácil de identificar o resultado pode
ser mais positivo. Se a tentativa é forçada às vezes a criança retém as fezes e
entre em constipação que é um transtorno. O método ELIMINATION COMUNICATION a
meu ver aumentará a frequência a consultórios de psiquiatria, pois só doido
para fiscalizar isso.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Visita 5 estrelas
Já escrevi sobre o tema num dos blogs
passados. Mas vejam o que encontrei no DIARIO DE NOTICIAS DE PORTUGAL: 10
CONSELHOS PARA VISITAS 5 ESTRELAS. Sempre gosto de escrever temas de leitura
mais rápida, mas vou transcrever na íntegra.
1) Nas primeiras 24 horas de vida ado do
bebê nada de visitas. A mãe está cansada do parto precisa recuperar. Além
disso, este é o primeiro momento de ligações dos pais ao bebé e um ambiente
tranquilo é confortável e fundamental.
2) O telemóvel pode ser o instrumento ideal
para dar os parabéns à família pela vinda do novo membro. Mas em vez de ligar,
pois o mais provável é que seja a mãe a atender, o melhor é enviara uma
mensagem. Não corre o risco de ser inconveniente e acordar o bebé caso este
esteja a dormir a sesta e os pais podem responder quando for a melhor altura.
Esta é também é maneira de perguntar qual o momento certo para a visita.
3) Antes do parto os pais devem falar com a
família mais chegada e com os amigos para si e para o bebé e avisam quando for
oportuno fazer visitas e que darão conta das novidades através de mensagens
4) Cabe ao pai ser uma espécie de segurança
da mãe de da criança quando começarem a chegar as visitas. Deve ser ele a
receber a família e os amigos e regular o tempo que dura a visita. É ao pai que
cabe a responsabilidade de impor os limites, pois a mãe ainda cansada do parto
e sobre o efeito das alterações hormonais não terá capacidade para fazê-lo.
5) a visita não deverá demorar mais de 20
minutos ou meia hora. É tempo suficiente para dar os parabéns, conhecer o bebé,
saber como estão todos. Se as pessoas estiverem mais tempo, o pai deve,
cuidadosamente sugerir que a mãe e o bebé precisam de descansar e podem voltar
noutro dia. Cabe aos amigos e familiares terem a sensibilidade para perceber
que a família precisa de tempo para si.
6) Idas a casa nunca devem ser feitas
depois das 21 horas. É preciso respeitar o tempo de descanso dos pais e do
bebé. Nunca ir ao hospital ou a casa visitar o bebé se estiver doente, mesmo
que não seja nada grave.
7) Não deve receber no quarto onde está o
bebé mais de duas pessoas. Se por acaso chegar mais alguém receba-o mas alguém que já lá estava deve sair para que o
ambiente não fique demasiado pesado e a temperatura não suba demasiado.
8) Sejam cuidadosos com a hora da
amamentação que podem chegar às treze vezes por dia. Muitas pessoas pensam que
a mãe não se importa de amamentar o bebé à frente dos outros Isso pode não ser
verdade e por isso é melhor evitar visitas durante a hora da alimentação para
que a situação não seja desconfortável para a mãe ou esta tenha de mudar de
divisão da casa para fazê-lo de forma mais reservada.
9) Não peque o bebé ao colo por mais que
lhe apeteça. Peça sempre autorização dos pais e lave as mãos antes de pegar no
bebé. Não coloque perfume no dia da visita, pois os bebés são muito sensíveis a
e precisam de reconhecer o cheiro dos pais para se sentirem mais seguros. Evite
dar beijos. Se fizerem as mulheres não devem ter os lábios pintados. A pele dos
mais pequenos é muito sensível e pode ficar irritada.
10) Não dê conselhos aos pais. Certamente eles já receberam muita informação
atualizada e sabem tudo o que precisam. Só dê conselhos se estes os pedirem.
Esta é uma mensagem especialmente dirigida às avós e cunhadas.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
INTERIOLOGIA E ESPECIALIZAÇÃO
FERNANDO AZEVEDO
Conta-se que um homem com uma forte dor no testículo
esquerdo seguiu a orientação de um amigo e procurou um especialista num
edifício empresarial. Confundiu a porta e entrou num escritório de advocacia. A
secretária que o recebeu perguntou do que se tratava e ele relatou:- Estou com
uma forte dor no testículo esquerdo. Ela com toda razão respondeu: - Senhor
aqui só tratamos de Direito. Desesperado o homem responde: -Vai ser
especializado assim na p.q.p.
O exemplo ilustra muito bem um dos pecados da formação
médica atual, e que resulta numa tragédia assistencial que se espalhou por todo
o Brasil e que não sei mais onde é a porta de saída, só sei que “trazer
milhares de médicos estrangeiros” como disse em cadeia nacional a presidentA é
uma insanidade. Estou há 50 anos praticando Medicina. A formação dos médicos
mais antigos e que influenciou nossa geração foi a de um conhecimento amplo, os
chamados generalistas. Nada contra os especialistas porque eles são
extremamente necessários e da maior importância para o desenvolvimento e conhecimento
dos sistemas anatômicos, mas não pode cair naquela de “especialista é aquele
que sabe tudo sobre quase nada e não sabe nada sobre quase tudo”. A crise da
assistência médica em cidades do interior existe, sobretudo porque os
INTERIOLOGISTAS foram extintos, os hospitais faliram e não há a menor
possibilidade de atrair um novato. O interiologista era um médico da maior
importância e a ciência uma das mais difíceis. Ele era obstetra de partos
fáceis e difíceis, pediatra, clínico geral e cirurgião para não ir mais além. O
interiologista era formado nas maternidades e pronto socorros e ali ele operava
uma apendicite, retirava uma vesícula, um baço, suturava intestinos perfurados
a bala e furados por faca. Atendia fraturas. Morava nas cidades do interior,
fazia seu nome, seu patrimônio, e a população o idolatrava. Conheço dezenas de
colegas inclusive muitos de minha turma de formatura. Quando fui para o Rio de
Janeiro fazer residência conheci jovens de todo o Brasil e que voltaram para
seus rincões. O que acontece hoje é que a especialização é muito precoce por
uma questão de mercado. Na Pediatria por exemplo temos a neonatologia,
gastroenterologia, pneumologia, alergologia, endócrino, cardiologia,
dermatologia e dispenso seguir a lista,
e os concursos são também focados nas especializações. Não pode uma cidade de
interior ser equipada com tantos especialistas e sem mercado eles ficam nas
capitais e cidades de grande porte. Vocês não imaginam (porque não conheceram) a importância das
parteiras no Recife e no interior. Como acabar com essa classe que tantos
serviços prestou e poderia continuar prestando. Todas as maternidades tinham as
suas, e falo de maternidades privadas.Quando trabalhei em urgências pediátricas
drenei dezenas (acho que centenas) de tóraxes com empiema e pneumotórax. No
Oswaldo Cruz onde trabalhe por 10 anos fiz traqueotomias, dissecção de veias
periféricas, axilares e femorais salvando crianças de morte iminente por
difteria e tétano. Não havia cirurgiões disponíveis e tive que aprender
e ensinar. Não meus brasileiros e brasileiras, cada país tem que fazer suas
adaptações, mas daqui que um cubano entenda que “piriquita chorando,
formigueiro no furico, é uma vulvovaginite e uma oxiuríase a criança já tirou
as calças pela cabeça. Vamos esperar pelo sucesso da importação. Para quem é
provinciano e patriota como eu, da uma pena danada ver nosso país nas manchetes
do mundo exportando mercadoria tão
assombrosamente negativa. A essa altura pra que copa se precisamos de cozinha.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
PREDSIMZINHO
FERNANDO AZEVEDO
Vocês não imaginam o que era tratar um
asmático há 50 anos. Xaropes e nebulizações com drogas cheias de efeitos
colaterais, naquela de “o remédio mata mais que a doença”. Era esperar uma nova
crise e novamente o mesmo arsenal terapêutico. Natação era a grande arma para o
exercício pulmonar e muitos nadadores olímpicos foram asmáticos na infância e
se tornaram grandes atletas. Muitos, no entanto não tinham a menor vocação
esportiva ou mesmo pioravam com rinites, otites etc. Sabe-se hoje que o esporte
em geral pode beneficiar muito o asmático, mas sob orientação. Esportes de
explosão muitas vezes desencadeiam crises. É a chamada asma de esforço que
acontece também quando um asmático ri muito (gargalhadas mesmo). Temos hoje o
Pilates como uma excelente arma para o trabalho de fisioterapia pulmonar.
Pilates era um asmático (leiam no Google- coloquem Pilates e asma)
Hoje a industria farmacêutica nos oferece
uma série de medicamentos eficazes e bem tolerados e entre essas drogas está a
Prednisolona que é um corticoide que se usa em crises agudas por 3 a 5 dias ou
em raras ocasiões em esquemas mais prolongados.” Quando se receita corticoide a
mão deve ficar trêmula” já disse um médico antigo que não recordo o nome. Diz-se
também que o corticoide é ótimo para o médico (seu conceito como milagreiro vai
lá para cima) para o paciente (que se vê livre do mal estar também em breve tempo)
e para a doença (para quem ele abre as portas por diminuir a reação
imunológica)
Acontece agora que esse corticoide (Predsim,
Prelone – os mais conhecidos) está sendo conhecido pela população leiga como se
fosse um xarope. É comum o uso em qualquer tipo de tosse esse uso indevido.
- Eu venho dando a ele um PREDSIMZINHO, mas
não está melhorando.
Muitos desses quadros respiratórios são
infecciosos, pneumonias etc. e só se auscultando e examinando a historia pode
ser receitado. Tenha esse cuidado. Asmáticos devem tê-lo sempre em casa, levar
para viagens, assim como “as bombinhas” de bronco dilatador para tratamento
precoce da crise, mas logo a criança deve ser examinada para conferir se
realmente é uma crise asmática.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
O SOM DOS CHOROS
FERNANDO AZEVEDO
“Pediatria deve ser muito difícil porque a
criança não fala” esse é um comentário comum. Verdadeiro. Aliás, medicina é
muito difícil. Entender o organismo animal (incluo a Veterinária) é complicado,
a interação dos diversos sistemas atrapalha o médico e o paciente. Muitas
doenças na pele, por exemplo, são exteriorizações de patologias em outros
órgãos. Tem ainda as doenças psicossomáticas que derrubam muitos pensamentos
apressados. Uma coisa na criança é vantajosa. Ela é pura, sincera, não mente e
com sua expressão facial revela alegria, tristeza, dor. Ai você pergunta: E o recém-nascido
e criança pequenininha? Além da face o choro é música pura. A fome tem um som,
a dor outro sempre em tons maiores. A tristeza o abandono em tom menor. As
rugas, o franzir da testa compõem o quadro. Quem melhor entende o choro? A mãe.
Nós desconfiamos, mas o aval delas é fundamental. Quero abordar, no entanto o
choro noturno que sempre é interpretado como fome e lá vem mamadeira
desnecessária e a engorda. Nos primeiros meses a criança da trabalho, o
primeiro então nem se fala. É um organismo em crescimento intenso e precisa
combustível, mas a partir do quinto mês, por exemplo, muitas já dormem a noite
toda. Pelo som veja se tem som de fome ou de desconforto que pode ser uma ma
posição, algum incômodo, frequente em área de fraldas, calor, frio, nariz
entupido, tosse. Com esse choro noturno cria-se um raciocínio que “para não
acordar dou uma mamadeira quando está dormindo, pois não vai despertar com
fome” Terrível engano, vômitos frequentes, refluxos, despertar sem fome e com
isso não se interessa por outra alimentação seguindo a tomar mamadeiras durante
o dia todo. As famosas cáries de mamadeira aparecem e a dentição se prejudica.
A partir do quinto mês, experimente depois de verificar tudo, tentar se um chá
ou água não resolve. Se for fome mesmo paciência, cada um tem seu ritmo, mas a
obesidade começa a ser combatida com essas
pequenas ações.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
MITOS
FERNANDO AZEVEDO
Essas coisas se perpetuam. Quando eu era
criança no Espinheiro, morreu o Padre Silvino pároco da igreja e a noticia
correu solta pelo bairro. Era beata chorando e aquela confusão. Mas morreu
como, se o homem estava bonzinho e rezou a missa de manhã? “ - “Porque fez a
barba depois do almoço e deu congestão”, era a verdade imposta e aceita. Depois
quando foram tirar os ossos outro boato se espalhou pois o esqueleto estava
virado e portanto talvez tivesse sido enterrado vivo pois nesses casos de
congestão nem sempre o morto está morto mesmo. Tomar banho depois do almoço Nem
pensar. Duas horas no mínimo para fazer a digestão. E o banho se estivesse com
febre? Morte certa com pneumonia e basite. Quando eu percebia que algo não ia
bem, tomava logo um banho, pois se tivesse febre só ia para o banho de cuia depois
de passar 24 horas sem febre. A casa ficava toda fechada (não havia chuveiro
elétrico) e um caldeirão de água fria era temperado por uma chaleira de água
fervendo até ficar com água morna. O banho de cuia era dado e existiam umas
cuias sofisticadas próprias para o ato.Já aos 25 anos como médico residente no
Rio de Janeiro num calor de 50 graus resolvi que ou morreria de congestão ou do
calor insuportável. Entrei no chuveiro e quase 50 anos depois estou ainda vivo
e por implicância só tomo banho depois do almoço. Vingança!Tenho uma prima que
ainda hoje não lê nada logo depois de uma refeição. Derrame cerebral iminente
se cometer essa insanidade. E fruta que tem visgo? como manga, sapoti. Se tomar
leite se arrebenta . Não demora 24 horas vivo. Hoje com as piscinas, hotéis,
churrascos ninguém espera “fazer a digestão” e não há registro de óbitos nessas
festas, mas os tabus continuam. Existem muitos casos de mortes em motéis e isso
é verdadeiro e atribuem a transa depois de comer (comida), mas não tem nada a
ver, são enfartes devido à emoção, e bota emoção nisso.
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